Já nem sei quantas vezes falei de recomeço nesse blog… Quem ainda usa blog? Percebi que no segundo semestre de cada ano, o meu cérebro me presenteia com uma crise existencial e eu recorro à ajuda psicológica. Começo terapias, abordagens e assim como muitas outras coisas na minha vida, desisto. Dessa vez estou decidida a não desistir, por mais que uma voz no meu subconsciente esteja em contagem regressiva.
Pois é, mais uma tentativa, mais uma terapia.
Minha psicanalista tem feito perguntas que me instigam a escrever novamente, não mais no meu grande diário de capa rosa que guardo desde os 20 anos, mas aqui... pra todo mundo ler; pra ninguém ler.
Perguntas como: Quem é você? Por que quase sempre procura ajuda em setembro? Por que sempre para a terapia? O que tem medo de encontrar? Por que se preocupa em ser a boazinha?
As respostas? Não sei, ou só não quero saber.
Talvez o Setembro Amarelo me "lembre" tendências que no passado me assombravam? Talvez seja o mês de aniversário da minha mãe e o lembrete constante de que, a cada ano que passa, ela vai dando um passo para longe de mim?
E ao refletir sobre isso, o meu cérebro, como se entrasse em protocolo de emergência, começa a fazer outras perguntas que me levam a outro caminho do que o da resposta de que preciso.
Me lembro de coisas que nem lembro quando ocorreram, por mais incoerente que isso pareça.
Coisas como — Não é engraçado como algumas coisas são tão simples para alguns, mas ocupam um espaço enorme na mente de outras pessoas? Eu me lembro, vagamente, de um comportamento em sala (inofensivo), mas que chamou a atenção da minha professora ao me perguntar "você está bem?" Por que isso me assombra de alguma forma até hoje?
Por que meu comportamento de brincar com meu cabelo foi percebido como não "normal"? Por que isso me marcou de alguma forma? Não bastava ser boa, tinha que ser perfeita. E isso me assombra até hoje.
Por que preciso que gostem de mim?
Me pergunto se sou boa ou quero parecer boa. E aí já me sinto péssima, em todos os sentidos.
Sempre priorizando o outro, os outros... sem coragem para ligar o "foda-se". É tão cansativo revisitar esses sentimentos.
Esse blog tá aqui há 17 anos com as mesmas reticências. Sinto que não evoluí nada. SInto que o tempo passou para mim e é tarde demais pra recomeçar. O que vão falar se eu falhar?
Queria conseguir me desligar de tudo por um tempo. Meu cérebro viciado em dopamina não deixa.
Quero emagrecer enquanto como brigadeiro. Tantas tentativas, tanto investimento, mas sem disciplina. Por que preciso ter "pressão" externa para mudar? Por que eu não sou o bastante pra mim mesma?
Iniciei esse post buscando respostas em mim e saio com mais perguntas. E esse é o problema: sempre tem um porquê que não consigo responder; não quero responder. Porque?
E mais uma vez vou me afastando das perguntas principais, colocando outras centenas de questionamentos no caminho. A cabeça dói.





